Tente buscar por palavras-chaves, código de pedido ou produto ou número de série, por exemplo, "CM442" ou "informações técnicas"
Insira pelo menos 2 caracteres para iniciar a busca.
  • Histórico

A revolução da reciclagem

Reciclar potes de iogurte usados para fazer novos potes de iogurte? Impossível! Essa foi a lógica convencional por muito tempo – até que a empresa belga Indaver desenvolveu um novo processo de reciclagem química.

08.06.2026 Texto: Christine Böhringer Fotografia: Indaver, Vintage Productions, Unsplash, 3st kommunikation
A Indaver decompõe embalagens plásticas de alimentos em seus componentes moleculares originais.

Plásticos com nomes estranhos estão por toda parte no nosso dia a dia. Uma olhada dentro de qualquer refrigerador doméstico revelará a presença de poliestireno e poliolefinas, como o polietileno e o polipropileno. Esses plásticos são resistentes a óleos, gorduras e ácidos. Eles não liberam substâncias e não emitem nem absorvem odores. Tudo isso os torna o material de embalagem perfeito para alimentos e bebidas. Plásticos são usados em bandejas para carne e cogumelos, recipientes para iogurte, filmes protetores, revestimento interno de caixas de leite e muitas outras aplicações.

Principais fatos

180 kg

de resíduos de embalagens são gerados anualmente por cada europeu.

Principais fatos

26.000 toneladas

Essa é a capacidade anual da usina Plastics2Chemicals da Indaver.

Principais fatos

10%

de material reciclado será o requisito mínimo para a composição de embalagens destinadas a alimentos na UE nos próximos anos.

Mas, apesar de todos os seus diversos usos, os plásticos que já cumpriram sua única finalidade são, em sua maioria, incinerados ou descartados diretamente em aterros sanitários. Em todo o mundo, apenas cerca de 10% de poliolefinas são recicladas, e apenas cerca de 1% de poliestireno. "Isso porque esses plásticos têm sido muito difíceis de reutilizar até então", explica Johan Verdeyen, gerente da indústria química na Endress+Hauser Bélgica. Os resíduos de embalagens de alimentos têm baixa densidade aparente, tendem a estar contaminados com resíduos alimentares e, frequentemente, são compostos por diversos materiais diferentes. Isso faz com que a triagem e limpeza para reciclagem mecânica exijam um grande consumo de recursos. E mesmo quando esses plásticos são reciclados, por questões de segurança, o material reciclado só pode ser transformado em produtos não destinados ao contato com alimentos, como frascos de shampoo. Consequentemente, novas embalagens para alimentos continuam sendo fabricadas a partir de matérias-primas virgens derivadas do petróleo.

Pioneira da transformação sustentável

A Indaver recupera matérias-primas valiosas e energia limpa a partir de resíduos industriais e domésticos há mais de 40 anos. A empresa também mantém o compromisso de remover os poluentes do ciclo do material de forma segura, a fim de proteger as pessoas e o meio ambiente. Assim, ela está ajudando a criar uma sociedade mais limpa e resiliente e apoiando a transição para uma economia circular. O Indaver é uma das principais empresas da Europa na gestão sustentável de resíduos e materiais, com unidades na Bélgica, Holanda, França, Alemanha, Portugal, Itália, Irlanda e Reino Unido. Em 2024, uma equipe de mais de 2.300 pessoas processou 5,6 milhões de toneladas de resíduos, gerando 945 milhões de euros em vendas. A Indaver considera que o empenho e a experiência de seus funcionários altamente motivados são fundamentais para o sucesso de seus projetos e serviços.

Do lixo para a Indaver e de volta à geladeira

A Indaver quer mudar isso. A empresa belga pioneira no processamento sustentável de resíduos tem como objetivo tornar circulares as embalagens de alimentos. Para isso, no ano passado, a empresa colocou em operação uma usina de reciclagem química inovadora, após investimentos que totalizaram 105 milhões de euros. A unidade Plastics2Chemicals na Antuérpia utiliza uma tecnologia desenvolvida internamente pela Indaver para decompor plásticos no final de sua vida útil de volta aos seus componentes químicos originais. Um processamento adicional purifica esses componentes até o ponto em que atinjam a mesma qualidade do material virgem, tornando-os, portanto, adequados para reutilização na produção de embalagens para alimentos. Então, agora, finalmente é possível fabricar novos potes de iogurte a partir dos potes usados.

Mundialmente, apenas cerca de 10% das poliolefinas são 
recicladas. ©Indaver

“Com a Plastics2Chemicals, conseguimos transformar lixo em matérias-primas valiosas. “Alcançamos esse resultado combinando inovação, visão, espírito empreendedor, colaboração e habilidade técnica”, anunciou Karl Huts, CEO da Indaver, na inauguração oficial da usina Plastics2Chemicals em setembro de 2025. As parcerias em toda a cadeia de valor foram fundamentais para a industrialização deste projeto. A empresa colaborou com universidades para pesquisar a nova tecnologia de despolimerização térmica e validar o processo passo a passo. Outros parceiros fornecem matéria-prima de resíduos plásticos e compram os produtos finais. E quando se trata de tecnologia de medição, a Indaver escolheu a Endress+Hauser como parceira para todas as suas necessidades. A usina usa mais de mil medidores da Endress+Hauser para garantir processos eficientes e confiáveis do início ao fim.

A Endress+Hauser começou a fazer parte do projeto para a Antuérpia logo em suas fases iniciais. ©Indaver

Eficiência por meio da digitalização

"A parceria com a Indaver cresceu com o tempo e a colaboração se fortaleceu nos últimos cinco anos com base no respeito mútuo e no compartilhamento de conhecimento ," disse Johan Puimège, consultor empresarial da Endress+Hauser Bélgica. “Compartilhamos uma abordagem comum em relação aos projetos: um forte foco na excelência operacional, tirando vantagem das tecnologias mais recentes.”

A Endress+Hauser começou a fazer parte do projeto para a Antuérpia logo em suas fases iniciais. A equipe foi encarregada de otimizar o planejamento, fornecimento, comissionamento, operações e manutenção — e, sendo assim, os custos — durante todo o ciclo de vida da usina. “Assim, assumimos a responsabilidade por todos os aspectos da engenharia de rede e pela escolha da instrumentação, e desenvolvemos um conceito de digitalização”, afirma Puimège. O resultado foi um sistema de instrumentação perfeitamente projetado para os requisitos da Indaver, o que, por sua vez, garante a estabilidade do processo e uma alta eficiência.

Novos componentes

Até hoje, praticamente toda a reciclagem de resíduos plásticos é feita mecanicamente. O material é separado, triturado, lavado, seco, derretido e transformado em granulado. Mas como a estrutura química dos polímeros permanece inalterada, a qualidade do reciclado depende em grande parte do quão bem a matéria-prima foi separada e limpa. E aí está o problema: resíduos plásticos, principalmente resíduos de embalagens, são muitas vezes uma mistura de materiais altamente contaminada. Além disso, com os processos mecânicos, os plásticos não podem ser aproveitados indefinidamente, e o reciclado muitas vezes não pode ser reutilizado para a aplicação original. Por outro lado, na reciclagem química, as cadeias de polímeros que compõem os plásticos são decompostas em moléculas — seus componentes químicos originais. Esses componentes podem então ser utilizados na fabricação de novos plásticos com a mesma qualidade dos plásticos virgens produzidos a partir de matérias-primas fósseis, o que os torna adequados para aplicações exigentes, como embalagens para produtos alimentícios.

Dentro do reator: Como funciona o processo inovador

A Indaver realiza o pré-tratamento mecânico de plásticos no final de sua vida útil em uma instalação separada, e então transporta os aglomerados resultantes para Antuérpia, onde eles são armazenados em silos. A partir daí, os aglomerados são transportados pneumaticamente para uma extrusora, onde são aquecidos até passarem do estado sólido para o de pasta quente e, em seguida, são introduzidos em um reator de pirólise elétrico.

“O principal desafio do nosso processo está relacionado ao reator, que opera tanto em temperaturas muito altas quanto muito baixas”, explica o engenheiro de projetos da Indaver, Roel Sommen. O reator primeiro gaseifica a pasta, aquecendo-a a mais de 400 °C em condições sem oxigênio. Os gases são então resfriados extremamente rápido em skids de resfriamento rápido, passando de mais de 400 °C para cerca de 100 °C em apenas um ou dois segundos. O resultado é um produto líquido que é então transferido para duas grandes torres de destilação que separam as frações constituintes para obter o produto final. O Indaver armazena esse material em seis amplos tanques de 250.000 litros e dois tanques de 50.000 litros.

O principal benefício imediato da digitalização é o acesso rápido a todos os dados. ©Vintage Productions

Para reduzir os custos de engenharia e acelerar o comissionamento, a Endress+Hauser recorreu à sua Plataforma Central de Engenharia, um hub digital que reúne toda a sua gama de ferramentas, dados e processos. A Endress+Hauser usa a plataforma para agilizar a seleção e configuração de instrumentos, para ajudar a criar fichas de dados técnicos e modelos CAD e para simular preços. “Conseguimos acompanhar todas as decisões em tempo real e então simplesmente exportamos os dados”, afirma Roel Sommen, engenheiro de projetos da Indaver. "A abordagem é inovadora, eficiente e economiza tempo ."

O projeto também usa a tecnologia digital para otimizar a manutenção, com sensores inteligentes enviando seus valores de medição e dados complementares através de um canal seguro para a nuvem Netilion da Endress+Hauser. Graças a essa plataforma de IIoT, a equipe da Indaver pode usar dispositivos terminais — como tablets industriais — para gerenciar os ativos da usina, acessar a documentação dos instrumentos, iniciar verificações remotamente e visualizar os dados de diagnóstico para verificar se os sensores estão funcionando corretamente. "Queremos melhorar a eficiência em todas as áreas. Para nós, o principal benefício imediato da digitalização é o acesso rápido a todos os dados”, afirma Steven Coppens, engenheiro-chefe do departamento de engenharia e instrumentação da Indaver.

Grande potencial comercial

A usina Plastics2Chemicals na Antuérpia tem atualmente uma capacidade de cerca de três toneladas por hora, ou aproximadamente 26.000 toneladas por ano. O objetivo da Indaver é crescer esse número para 65.000 toneladas, que envolverá o comissionamento de uma segunda linha. “A Indaver também está em negociações para construir mais unidades de reciclagem avançada em toda a Europa”, explica Johan Verdeyen, gerente da indústria química na Endress+Hauser Bélgica.

Na fase inicial, no ano passado, a Indaver concentrou-se exclusivamente na reciclagem de poliestireno pré-tratado proveniente de embalagens de alimentos — como potes de iogurte e bandejas de carne — para a produção de estireno de alta pureza. Agora, empresas parcerias da indústria química estão transformando esse material novamente em poliestireno – e os resultados já podem ser encontrados nas bandejas de isopor para carne utilizadas por uma rede de supermercados belga. Também há planos de usar uma porcentagem desse material reciclado na fabricação de potes de iogurte. Este ano, a Indaver também iniciou a reciclagem de resíduos de poliolefina para produzir nafta e cera. O valor agregado por esses tipos de processos continuará aumentando, pois a UE determinou que certos tipos de embalagens plásticas — especialmente aquelas destinadas ao contato direto com alimentos — tenham um teor mínimo de 10% de material reciclado até 2030. Essa exigência provavelmente contribuirá para tornar o plástico reciclado uma mercadoria valiosa.

“Nossa tecnologia desenvolvida internamente, combinada com parcerias estratégicas e inovação contínua, nos permite fornecer materiais de alta pureza para aplicações exigentes, como embalagens para alimentos, comprovando que circularidade e desempenho podem andar de mãos dadas”, afirma Erik Moerman, diretor geral de vendas e desenvolvimento da Indaver Plastics2Chemicals.

Os especialistas da Endress+Hauser estão impressionados com a façanha da Indaver de comercializar a reciclagem química do poliestireno. “Com a construção da usina de Antuérpia, a Indaver comprova sua disposição para investir em inovação e manter seus princípios. São empresas como a Indaver que estão trabalhando para criar circularidade e que importam para o futuro de nossa economia", diz Johan Puimège, da Endress+Hauser. O projeto reforçou ainda mais a parceria entre as duas empresas. Para citar o engenheiro Roel Sommen: "A colaboração entre nós foi muito tranquila, e nos damos muito bem também no plano pessoal. Para mim, Johan é mais um colega do que um fornecedor."

Leia sobre tópicos semelhantes

Downloads

Explore recursos adicionais

document icon
'changes', revista da empresa 1/2026 PDF, 7.5 MB
Moldando a transformação sustentável
download icon Download